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CAPOEIRA
 
 

Capoeira significa mato ralo, aquele que já era; palavra de origem tupi, o que nega a idéia de que seja de origem exclusivamente africana. Segundo antigos mestres, a capoeira nasceu na Serra da Barriga, em uma das clareiras do Quilombo dos Palmares, onde escravos fugitivos dominavam técnicas de uma luta ágil e manhosa usada para a libertação. Sabe-se que o quilombo era não só habitado por negros, mas também por índios e brancos foragidos.

Segundo outra corrente de mestres, quando da descoberta do Brasil, a capoeira já existia e era praticada pelos índios tupis, principalmente na Bahia, com o nome de capuêra. Na Terra de Santa Cruz, os indígenas praticavam a capuêra e se reuniam em forma de roda batendo com as mãos e com os pés em ritmo constante e, às vezes, usando também uma caixa de madeira entre as pernas. Assim era realizada, com muito respeito, a tradicional Ceia dos Palmares entre negros, índios e brancos foragidos, na época do império.

Em 1890 o Código Penal Brasileiro proibiu a prática da capoeira no país, alegando que seus praticantes eram pessoas desocupadas e usavam deste esporte para desacatar os policiais que faziam ronda noturna nas cidades. Mas isso não conseguiu intimidar os capoeiristas que aumentavam a cada ano. Nessa época os ex-escravos capoeiristas eram caçados e deportados para Fernando de Noronha. Assim para não serem descobertos, os capoeiristas, camuflavam-se atrás de apelidos que os identificavam. Esta tradição vem sendo perpetuada até hoje. Em 1932, mestre Bimba, patrono da capoeira, veio legalizar e criar a primeira academia no Brasil, além de um novo tipo de capoeira: a regional.

A tradição, de fato, é o elo de ligação entre o passado e o presente desse esporte. O canto da ladainha, a corrida em torno da roda, o sinal da cruz, a saída em, enfim todo ritual simboliza e essência de um tempo que não volta mais. A capoeira no Rio de Janeiro e outros estados, divide-se em 3 grupos:
1- Grupos livres, como a Senzala;
2- Praticada na rua;
3- Filiada à Federação de Capoeira do Estado, como é o caso da Associação de Capoeira Barravento, filiada à Federação Brasileira de Pugilismo
.

Meia-lua, martelo, armada, queixada, rasteira, rabo de arraia, vôo do morcego são alguns das dezenas de golpes da capoeira. A capoeira também é luta que, para ser aceita na sociedade, teve que se chamar folclore e dança e eliminar alguns golpes letais. A capoeira na pode ser encarada só como folclore, já que possui metodologia e é filiada à Federação Brasileira de pugilismo (FBP).

Para grupos filiados á FCE (Federação de Capoeira do Estado), permite-se a graduação oficializada dos cordéis, que possuem as cores da bandeira nacional, após prestar exame prático e escrito. Os cordéis apresentam-se nesta ordem crescente: verde, verde-amarelo, amarelo, amarelo-azul, azul (aluno formado), azul-verde-amarelo (contra-mestre), verde-branco de mestre, amarelo-branco (após 10 anos dando aulas), azul-branco (após 20 anos dando aulas) e branco (após 30 anos dando aulas). Os últimos quatro cordéis são considerados de "respeito", pois significam cerca de 20, 30 anos de capoeira.

Não podemos esquecer do batizado, ritual no qual o capoeirista recebe o respectivo cordel e o apelido por questão da tradição. As trocas de cordel ocorrem somente uma vez por ano. A capoeira divide-se em Angola, Regional e Média. As tendências diferem-se pela forma da ginga e quantidade de golpes. A Angola é tradicionalmente jogada na Bahia, onde o jogo é mais malandro. Já a regional, criada por mestre Bimba, que teve a visão do aperfeiçoamento da luta, é de ginga compassada e de maior número de golpes. A média, jogada no Rio, é mistura das duas anteriores.

Existe, entretanto, um ponto comum em todas as capoeiras, o uso do berimbau. O berimbau foi introduzido na capoeira, e não nasceu com ela. Divide-se em viola-agudo, violinho médio e bumba ou berra-boi-grave. Também há o atabaque, o primeiro instrumento utilizado na capoeira, inicialmente chamado tambor de guerra, que hoje é acompanhado do pandeiro de origem indígena. Na capoeira utiliza-se o cordel, blusa e calças brancas para relembrar o ponto de honra dos antigos mestres: jogar de branco sujando apenas a palma das mãos.

 
Fontes:
Mestre Evaldo Bogado - Capoeira Barravento
Jornal O Fluminense e Revista Capoeira

Veja também:

Associação
de CAPOEIRA

 

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