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16 ANOS DE DESGOVERNO AMBIENTAL
  Por Gerhard Sardo*
  Niterói, outrora capital do antigo Estado do Rio de Janeiro, vai completar ao final deste ano 16 (dezesseis) anos sob a administração de um mesmo grupo político. Há dezesseis anos assistimos o PDT (leia-se Jorge Roberto Silveira e João Sampaio) e recentemente o PT (Godofredo Pinto), insistentemente apoiados pelo PV (Fernando Guida), planejando e determinando um "futuro" para a Cidade. Aprovaram um Plano Diretor com o argumento de "Justiça Social" e "Proteção ao Meio Ambiente", mas em momento algum apresentaram ou desenvolveram qualquer política pública que garantisse a execução ou o respeito as suas linhas teóricas de "desenvolvimento sustentado". Estamos chegando a dezesseis de um governo continuísta que garantiu, sobretudo, a favelização e ocupação irregular de inúmeras áreas florestadas em encostas e nas margens das lagunas de Piratininga e Itaipu. Não satisfeitos, liberaram a construção de prédios e mais prédios em áreas saturadas pela indústria imobiliária e em áreas naturais frágeis à ocupação humana.

Em Niterói, outrora Cidade sorriso, sobrevive alheia a crise econômica nacional um governo que hoje é sustendado por uma híbrida aliança do PT-PDT-PPS-PTB-PCdoB-PV e outros "p's" sem qualquer compromisso com a cidadania. Manipulam a verdade, e impõem a todo momento uma "realidade" em acordo com seus acordos político$. Tentam a reeleição. Querem chegar a 20 (vinte) anos no poder!

Nesses quase dezesseis anos de poder, concluímos que nada de real foi realizado em Niterói pela híbrida aliança governista. A perda de vegetação é apenas um reflexo da realidade que os mandatários municipais não podem mais esconder da população. Diferente da saúde e educação pública, os números oficiais referentes ao meio ambiente não podem ser manipulados com tamanha facilidade. A realidade ambiental está à mostra dos transeuntes. Não como esconder a Cidade dos cidadãos. Bem que tentaram. Alguns dirigentes municipais do PV chegaram (pasmem!) a afirmar em outdoor que "Niterói possuía mais de 55% de vegetação". Felizmente estão sendo desmascarados pela imprensa.

Recentemente o prefeito de Niterói cortou 65% dos recursos do orçamento municipal para o meio ambiente. Sequer designou e convocou os membros do Conselho Municipal do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Niterói. E há fortes indícios que orientou uma dirigente de empresa mista (cargo de confiança) à solicitar a um deputado estadual pedetista a necessidade de mutilar os limites do Parque Estadual da Serra da Tiririca para criação de um "aterro sanitário" em um corredor biológico da Mata Atlântica.

Para mater-se sob a orientação política do prefeito, parece que a má fé de alguns dirigentes municipais parece não ter limites. Ainda dentro da polêmica matéria jornalística que esclarece sobre a quantidade de áreas verdes, um renomado secretário municipal chega a afirmar que "De 1994 para cá, houve no máximo uma diminuição de 10%." Seguido da pérola: "E a área urbana da cidade também não cresceu tanto.Hoje a área verde de Niterói, excluindo-se a parte das lagoas, é de cerca de 48%." Vejam só! 48% de área verde em Niterói?! Só se for no no site oficial da Prefeitura de Niterói, é claro.

Chegou a hora de refletirmos sobre essa híbrida aliança governista, onde o PT tenta a qualquer cu$to reeleger um prefeito sem qualquer identidade com os niteroienses.

Gerhard Sardo*
Gerhard Sardo é ambientalista, jornalista, pós-graduado em Análise e Avaliação Ambiental, Conselheiro titular no Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e no Conselho Municipal do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Niterói (COMAN) e Coordenador Regional da APEDEMA-RJ.*.

 

 

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