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Prefeitura de Niterói vacila frente às empresas
imobiliárias, as indústrias, as mineradoras
e aos invasores de áreas públicas e particulares
que atuam no município, não demonstrando coragem
e competência de aplicar a lei.
Investimentos imobiliários não têm tido obstáculos
em avançar sobre o patrimônio ambiental da
Cidade, como assistimos com a construção de
edificações de grande porte sobre sambaquis
com mais de oito mil anos de existência e
na costa rochosa do Morro das Andorinhas,
em Itacoatiara, bem como a "quase" aprovação
de "condomínios ecológicos" na Ponta de Jurujuba
e no Córrego dos Colibris, na Serra da Tiririca,
bem como a construção de prédio em importante
área de floresta no Pé Pequeno, em Santa Rosa.
O intere$$e da administração municipal na
liberação dos gabaritos em áreas naturais
nobres também é constatado com a autorização
que foi concedida para a construção de vários
prédios em área de preservação permanente
no entorno da laguna de Itaipu, com previsão
de dez mil novos moradores para o bairro de
Camboinhas.
As indústrias continuam poluindo o ar, os
rios e o mar em Niterói. Fábricas de sardinha
continuam agindo, sem qualquer tomada de medida
que garanta o monitoramento adequado da matéria
orgânica despejada no mar. Navios abandonados
sequer são vistoriados, garantindo a contínua
poluição da Baía de Guanabara com vazamentos
de óleo e graxas. E a reativação dos estaleiros
e portos vai gerar uma imensa carga de poluição
marinha oriunda do descarte do material dragado
nos canais navegáveis sem que a população
de Niterói tenha noção exata da sua gravidade
para a saúde dos banhistas e da produção pesqueira
desenvolvida pelo caiçaras de Itaipu.
Atividades minerárias são combatidas apenas
por iniciativas das organizações não-governamentais.
A conivência da administração local com pedreiras
e saibreiras vem comprometendo significativas
áreas de Mata Atlântica e mesmo a segurança
pública, quando é sabido da precariedade do
sistema de utilização de explosivos próximos
a regiões habitadas, como a que ocorre com
a comunidade do Morro do Preventório e os
usuários do Clube Naval, em Charitas.
O descaso com o meio ambiente é tão evidente,
que os parques e reservas florestais sob a
guarda do município não dispõem de qualquer
tipo de proteção ou infra-estrutura. No Parque
da Cidade, assaltos são rotina aos freqüentadores
do local. Na Reserva Ecológica Municipal Darcy
Ribeiro, próximo ao cemitério Parque da Colina,
ocupações irregulares e construções ilegais
avançam de forma desordenada, inviabilizando
o ecoturismo na Cidade. Na praia do Sossego,
entre as praias de Camboinhas e Piratininga,
sua área tombada foi diminuída para facilitar
a especulação imobiliária e não há nenhuma
identificação que o local é um Monumento Natural.
Nas praias de Adão e Eva, em Jurujuba, construções
“legalizadas” surgem no contexto eco-paisagístico
tombado. Soma-se a esse quadro o irresistível
processo de favelização de áreas naturais,
que tem encontrado apoio e estímulo junto
a incapacidade das autoridades municipais
em resolver a questão habitacional.
Na prática, em Niterói não existe um planejamento
ambiental que contemple programas e projetos
setoriais integrados de saneamento básico,
recuperação das lagoas de Piratininga e Itaipu,
arborização e reflorestamento de encostas
no entorno das unidades de conservação, fiscalização
ambiental e controle da poluição, ordenamento
de núcleos rurais, transporte alternativo
e turismo ecológico. Tampouco são cumpridas
e adotadas as determinações da Lei Orgânica
do município, que estabelece obrigações, diretrizes
e prazos para uma atuação eficaz do Governo
municipal em relação ao meio ambiente.
Há anos o Conselho Municipal do Meio Ambiente
e dos Recursos Hídricos de Niterói (COMAN)
não é convocado para analisar os projetos
de interesse do município, ou para deliberar
sobre a Política Ambiental local.
A Prefeitura de Niterói ignora os riscos reais
que a degradação ambiental provoca na qualidade
de vida, na produção econômica e no desenvolvimento
da Cidade. O atual desinteresse pelas questões
ambientais, qualquer que seja o motivo – ignorância,
desconhecimento ou insensatez – é a causa
fundamental do progressivo agravamento da
deterioração do meio ambiente.
A administração do meio ambiente exige a ação
articulada de vários setores ligados a saúde,
fazenda, turismo, educação, obras, urbanismo,
transportes, cultura e bem-estar social e
é, por isso, uma questão de Governo. Definitivamente,
Niterói hoje é vítima de indigestão ambiental,
provocada pela omissão generalizada daqueles
que estão autoridades municipais.
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