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O Derramamento de Óleo em Niterói e os Mexilhões
 
 

O jornal "O Fluminense", de 15/09/05, em sua página 3, destacou em manchete que "Venda de mexilhões cai 30% / Cerca de 80 famílias que dependem sa colheita em Jurujuba temem arcar com prejuízo no fim do ano". A matéria registrou um dos desdobramento do derramamento de óleo do navio Saga Mascot junto ao estaleiro Enave-Renave, com sede em Niterói-RJ.

A preocupação de pescadores e criadores de mexilhão com atuação na enseada de São Francisco e Jurujuba tem fundamento.

Quando participei de vistoria na áreas atingidas pelo óleo derramado junto com agentes da Feema, Defesa Civil e Hidro Clean (empresa contratada pelo estaleiro para "despoluir" a região), percebí que pequenos pescadores reclamavam do acúmulo de resíduos de óleo nas redes de pesca em Jurujuba e adjacências. Já os mexilhões, com certeza, tambem foram atingidos por algum grau de poluição gerada pela dispersão do óleo, que segundo agente da Feema, era de pequeno teor de toxidade e utilizável em motores de navio. Para evitar qualquer dúvida sobre a contaminação junto às suas áreas de reprodução, é necessário de se faça - o quanto antes - uma análise visceral nos mexilhões para constatar se há moléculas de óleo.

A análise visceral pode ser feita nos laboratórios da UFF, UFRJ ou UERJ.

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Gerhard Sardo*
*Gerhard Sardo é jornalista, analista ambiental e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).